BI-RADS 3, 4 e 5: o que significa cada resultado?
BI-RADS é a classificação que o radiologista usa para dizer qual a chance de um achado na mama ser câncer. No BI-RADS 3, atribuído após uma avaliação diagnóstica completa, o achado é provavelmente benigno, com risco de até 2%, e o caminho é repetir o exame em 6 meses. No BI-RADS 4, o achado é suspeito, com risco entre 2% e 95%, e a biópsia é indicada. No BI-RADS 5, o achado é altamente sugestivo de câncer, com risco acima de 95%, e a biópsia deve ser feita sem demora. Em todos os casos, o laudo precisa ser interpretado por um mastologista.
O que é o BI-RADS?
O BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) foi criado pelo Colégio Americano de Radiologia (ACR) para padronizar os laudos de mamografia, ultrassom e ressonância das mamas. Ele é usado no mundo todo, inclusive no Brasil, e permite que qualquer médico entenda o grau de suspeita de um achado e a conduta recomendada.
A classificação vai de 0 a 6. Cada número corresponde a uma faixa de risco e a uma recomendação:
Categoria | O que significa | Risco de câncer | Conduta habitual |
BI-RADS 0 | Exame incompleto | Não se aplica | Complementar com outro exame ou comparar com exames anteriores |
BI-RADS 1 | Negativo | Praticamente nulo | Rastreamento de rotina |
BI-RADS 2 | Achado benigno | 0% | Rastreamento de rotina |
BI-RADS 3 | Provavelmente benigno | Até 2% | Controle em curto prazo, geralmente em 6 meses |
BI-RADS 4 | Suspeito | 2% a 95% | Biópsia |
BI-RADS 5 | Altamente sugestivo de câncer | Acima de 95% | Biópsia e planejamento do tratamento |
BI-RADS 6 | Câncer já confirmado por biópsia | Diagnóstico confirmado | Tratamento |
A maior parte dos exames de rastreamento recebe BI-RADS 1 ou 2. As categorias que geram mais dúvidas são a 3, a 4 e a 5.
BI-RADS 3: provavelmente benigno
O BI-RADS 3 indica um achado com probabilidade de câncer de até 2%. São exemplos típicos um nódulo sólido, oval e bem delimitado no ultrassom, como um provável fibroadenoma, ou uma pequena assimetria na mamografia.
Atenção: o BI-RADS 3 não é um rótulo para qualquer nódulo de aparência benigna. A categoria deve ser atribuída somente depois de uma avaliação diagnóstica adequada, com mamografia diagnóstica e incidências complementares e/ou ultrassom dirigido, além da comparação com exames anteriores quando existirem. Em um exame de rastreamento, um achado novo costuma receber BI-RADS 0 até que essa investigação seja concluída. Só então, se as características forem tipicamente benignas, ele pode ser classificado como BI-RADS 3.
Como o risco é muito baixo, a conduta padrão não é a biópsia, e sim o controle em curto prazo: repetir o exame em cerca de 6 meses e, se o achado continuar estável, seguir com controles até completar 2 anos.
Um grande estudo publicado na revista Radiology, com 43.628 mulheres classificadas como BI-RADS 3 no banco nacional de mamografias dos Estados Unidos, confirmou esse comportamento:
O câncer foi encontrado em 1,86% das pacientes, dentro do esperado para a categoria
A maioria dos cânceres foi diagnosticada no controle de 6 meses ou logo depois
Em 2 anos, 81% dos achados foram reclassificados como BI-RADS 1 ou 2
Por isso, o controle de 6 meses não deve ser adiado. Em algumas situações, como ansiedade importante, impossibilidade de fazer o acompanhamento, histórico familiar forte ou planejamento de gestação, o mastologista pode indicar a biópsia mesmo em um BI-RADS 3.
BI-RADS 4: suspeito
O BI-RADS 4 indica um achado suspeito, com probabilidade de câncer entre 2% e 95%. Como essa faixa é muito ampla, o ACR divide a categoria em três subgrupos:
BI-RADS 4A (baixa suspeição): risco de 2% a 10%
BI-RADS 4B (suspeição intermediária): risco de 10% a 50%
BI-RADS 4C (alta suspeição): risco de 50% a 95%
Em todas as subcategorias, a recomendação é a biópsia. Isso não significa que o achado seja câncer. Em um BI-RADS 4A, por exemplo, mais de 90% dos casos têm resultado benigno. A biópsia existe justamente para tirar a dúvida com segurança.
BI-RADS 5: altamente sugestivo de câncer
O BI-RADS 5 é usado quando o achado tem características clássicas de câncer, como um nódulo espiculado ou calcificações lineares e ramificadas. A probabilidade de malignidade é acima de 95%.
Nesse caso, a biópsia deve ser feita o quanto antes, não para “descobrir se é câncer”, mas para confirmar o diagnóstico e identificar o tipo de tumor. Informações como os receptores hormonais e o HER2 orientam todo o planejamento do tratamento.
Um BI-RADS 5 exige agilidade, mas também acolhimento. Hoje, o tratamento do câncer de mama é cada vez mais individualizado, e o diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura. Saiba mais no artigo Câncer de mama: o que mudou no diagnóstico e no tratamento.
E o BI-RADS 0?
O BI-RADS 0 não é um resultado alterado nem normal. Ele significa que o exame está incompleto: o radiologista precisa de imagens complementares, de um ultrassom ou de exames anteriores para comparar. Depois dessa complementação, o achado recebe a classificação definitiva.
O que é densidade mamária no laudo?
Além da categoria, o laudo da mamografia informa a densidade mamária, classificada em quatro tipos:
A: mamas predominantemente gordurosas
B: áreas esparsas de tecido fibroglandular
C: mamas heterogeneamente densas, que podem esconder pequenos nódulos
D: mamas extremamente densas, que reduzem a sensibilidade da mamografia
Nas categorias C e D, a complementação do rastreamento deve ser individualizada: conforme o risco de cada mulher e a disponibilidade dos métodos, pode incluir ultrassom, tomossíntese ou ressonância. Explicamos isso em detalhes no artigo Mamografia ou ultrassom de mama: qual exame é melhor?
Perguntas frequentes
BI-RADS 3 pode virar câncer?
O BI-RADS 3 não “vira” câncer. Em até 2% dos casos, o achado já era um câncer inicial, e por isso o controle de 6 meses é importante para identificá-lo cedo.
BI-RADS 4 é câncer?
Não necessariamente. É um achado suspeito que precisa de biópsia. No BI-RADS 4A, a grande maioria dos resultados é benigna.
Quanto tempo posso esperar para fazer a biópsia de um BI-RADS 4 ou 5?
O ideal é fazer em poucas semanas. No BI-RADS 5, a biópsia deve ser priorizada para que o tratamento, se necessário, comece sem atraso.
O BI-RADS pode mudar entre um exame e outro?
Sim. Ele pode mudar com exames complementares, com a comparação com exames anteriores ou com a evolução do achado ao longo do tempo.
Preciso de um mastologista se o laudo for BI-RADS 3?
Sim. O mastologista correlaciona o laudo com o exame clínico e o histórico da paciente e define se o controle é suficiente ou se a biópsia é a melhor opção.
Seu laudo saiu com BI-RADS 3, 4 ou 5?
Recebeu um laudo e ficou em dúvida sobre o próximo passo? No consultório em Jundiaí, o Dr. Roberto Giordano avalia os exames, explica o resultado com clareza e, quando indicado, conduz a biópsia e o planejamento do tratamento.
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Referências
American College of Radiology. ACR BI-RADS® Atlas, 5ª edição. Resumo das categorias em Radiopaedia: Breast imaging-reporting and data system (BI-RADS).
Berg WA, et al. Cancer Yield and Patterns of Follow-up for BI-RADS Category 3 after Screening Mammography Recall in the National Mammography Database. Radiology, 2020. Comunicado da RSNA.
Urban LABD, et al. Recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil (CBR, SBM, Febrasgo). Radiologia Brasileira, 2023.




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