Mamografia ou ultrassom de mama: qual exame é melhor?
Nenhum dos dois é “melhor”: mamografia e ultrassom têm papéis diferentes e, muitas vezes, se complementam. A mamografia é o único exame de rastreamento que comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama, porque detecta tumores pequenos e microcalcificações antes de serem palpáveis. O ultrassom não substitui a mamografia, mas é o exame de escolha para avaliar nódulos em mulheres jovens, diferenciar cistos de nódulos sólidos e, em casos selecionados, complementar o rastreamento em mamas densas. A escolha depende da idade, do tipo de mama e do motivo do exame.
Para que serve a mamografia?
A mamografia é um raio-X das mamas, feito com baixa dose de radiação. Sua grande força é o rastreamento: encontrar o câncer em mulheres sem sintomas, quando o tumor ainda é pequeno.
Segundo as recomendações publicadas em 2023 pelo Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e pela Febrasgo, o rastreamento mamográfico reduz a mortalidade por câncer de mama em 22% a 30% nas mulheres de 40 a 74 anos. Começar aos 40 anos reduz a mortalidade em 10 anos em cerca de 25%.
A mamografia também é o melhor exame para identificar microcalcificações, pequenos depósitos de cálcio que podem ser o primeiro sinal de um carcinoma in situ, a forma mais inicial do câncer de mama. O ultrassom raramente enxerga essas alterações.
Quando começar a mamografia?
As recomendações mudaram nos últimos anos:
Fonte | Recomendação para mulheres de risco habitual |
CBR, SBM e Febrasgo (2023) | Mamografia anual dos 40 aos 74 anos; após os 75, se a expectativa de vida for de pelo menos 7 anos |
Ministério da Saúde (2025) | Mamografia garantida no SUS a partir dos 40 anos para quem desejar, com o rastreamento ampliado até os 74 anos |
Mulheres com risco elevado, como as que têm mutação genética ou histórico familiar importante, seguem um plano próprio, que pode começar antes dos 40 anos e incluir ressonância magnética.
Para que serve o ultrassom de mama?
O ultrassom usa ondas sonoras, sem radiação. Ele é excelente para:
Diferenciar cisto de nódulo sólido, algo que a mamografia não consegue fazer com segurança
Avaliar nódulos palpáveis em mulheres jovens: abaixo dos 30 anos, o Colégio Americano de Radiologia indica o ultrassom como primeiro exame
Complementar a mamografia em mamas densas, em casos selecionados
Avaliar gestantes e lactantes
Guiar biópsias de forma precisa e confortável
Avaliar as axilas em busca de linfonodos alterados
A principal limitação é que o ultrassom depende muito da experiência de quem examina e gera mais achados que acabam se mostrando benignos, o que pode levar a biópsias desnecessárias quando usado sozinho.
O que são mamas densas e por que isso muda a escolha?
Mamas densas têm mais tecido glandular e fibroso do que gordura. Na mamografia, esse tecido aparece branco, assim como os tumores, o que pode esconder pequenos nódulos.
Isso é muito comum. Um estudo publicado no Journal of the National Cancer Institute estimou que 43% das mulheres de 40 a 74 anos têm mamas densas. Entre 40 e 44 anos, o índice chega a 56,6%.
Nessas mulheres, adicionar o ultrassom à mamografia pode encontrar cânceres que passariam despercebidos:
No estudo ACRIN 6666, publicado no JAMA, o ultrassom complementar encontrou 4,2 cânceres a mais a cada 1.000 mulheres com risco aumentado e mamas densas
No estudo japonês J-START, publicado na The Lancet com quase 73 mil mulheres de 40 a 49 anos, a combinação com ultrassom aumentou a sensibilidade do rastreamento de 77% para 91% e reduziu pela metade os cânceres de intervalo, aqueles que aparecem entre um exame e outro
O custo dessa sensibilidade maior são mais resultados falso-positivos. No ACRIN 6666, a chance de uma biópsia indicada ser câncer caiu de 22,6% com a mamografia sozinha para 11,2% com a combinação.
Por isso, a complementação em mamas densas deve ser individualizada, e não automática. As diretrizes brasileiras citam o ultrassom, a tomossíntese e, nas mamas extremamente densas, a ressonância como opções. A escolha leva em conta o risco de cada mulher, a disponibilidade dos métodos e a qualidade do serviço. Em nenhum caso o ultrassom substitui a mamografia.
Então, qual exame fazer?
De forma geral:
Situação | Exame mais indicado |
Rastreamento a partir dos 40 anos, sem sintomas | Mamografia (preferencialmente digital ou tomossíntese) |
Rastreamento em mamas densas | Mamografia; complemento individualizado (ultrassom, tomossíntese ou ressonância), conforme o risco |
Nódulo palpável abaixo dos 30 anos | Ultrassom |
Nódulo palpável a partir dos 40 anos | Mamografia diagnóstica + ultrassom |
Gestantes e lactantes | Ultrassom |
Alto risco genético | Ressonância magnética anual + mamografia |
Essas são orientações gerais. A indicação final depende do histórico de cada mulher e deve ser feita pelo mastologista.
E a ressonância e a tomossíntese?
A tomossíntese, ou mamografia 3D, produz imagens em camadas e melhora a detecção em mamas densas. As diretrizes brasileiras recomendam considerá-la quando disponível.
A ressonância magnética é o exame mais sensível, mas não é indicada para todas. Ela é reservada para mulheres de alto risco, para o estadiamento de alguns cânceres já diagnosticados e para a avaliação de próteses de silicone, como na suspeita de ruptura.
Perguntas frequentes
O ultrassom pode substituir a mamografia?
Não. O ultrassom não detecta bem as microcalcificações e não tem comprovação de redução de mortalidade quando usado sozinho no rastreamento.
Mamografia dói?
A compressão causa desconforto por alguns segundos. Fazer o exame fora do período pré-menstrual costuma deixar o procedimento mais tranquilo.
A radiação da mamografia faz mal?
A dose é muito baixa e o benefício de detectar o câncer cedo supera amplamente o risco teórico da radiação.
Quem tem silicone pode fazer mamografia?
Sim. O exame é feito com técnicas especiais de posicionamento, e o ultrassom e a ressonância ajudam a avaliar o implante.
Tenho menos de 40 anos e nenhum sintoma. Preciso de exame?
Para mulheres de risco habitual, o rastreamento começa aos 40 anos. Se houver histórico familiar importante, converse com o mastologista sobre começar antes.
Qual exame é o certo para você?
A melhor estratégia é a que considera sua idade, a densidade das suas mamas e o seu histórico familiar. Em Jundiaí, o Dr. Roberto Giordano avalia cada caso e indica o rastreamento mais adequado, sem exames a mais nem a menos.
Agende uma avaliação e monte o seu plano de rastreamento.
Referências
Urban LABD, et al. Recomendações para o rastreamento do câncer de mama no Brasil (CBR, SBM, Febrasgo). Radiologia Brasileira, 2023.
Ministério da Saúde recomenda mamografia a partir dos 40 anos e amplia tratamentos. Portal Afya, setembro de 2025.
Sprague BL, et al. Prevalence of mammographically dense breasts in the United States. Journal of the National Cancer Institute, 2014.
Berg WA, et al. Combined screening with ultrasound and mammography vs mammography alone in women at elevated risk of breast cancer (ACRIN 6666). JAMA, 2008.
Ohuchi N, et al. Sensitivity and specificity of mammography and adjunctive ultrasonography to screen for breast cancer in the J-START. The Lancet, 2016.
Klein KA, et al. ACR Appropriateness Criteria® Palpable Breast Masses: 2022 Update. Journal of the American College of Radiology, 2023.




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