Biópsia de mama: quando é necessária e como funciona?
A biópsia de mama é necessária quando um exame de imagem ou o exame clínico mostra um achado suspeito, geralmente classificado como BI-RADS 4 ou 5. É o exame que confirma o diagnóstico de câncer de mama. Já um resultado benigno só é considerado confiável quando há concordância entre o exame clínico, as imagens e a análise do tecido. Na maioria dos casos, é feita no consultório ou na clínica de imagem, com anestesia local, por meio de uma agulha guiada por ultrassom, mamografia ou ressonância. Dura poucos minutos, não exige internação e permite voltar às atividades leves no mesmo dia. O resultado costuma sair entre 5 e 10 dias úteis, e boa parte das biópsias é benigna.
Por que fazer uma biópsia?
Mamografia, ultrassom e ressonância mostram a forma de um achado, mas não conseguem dizer com certeza se ele é benigno ou maligno. Para isso, é preciso analisar as células ou o tecido ao microscópio, que é o que a biópsia permite.
Além de confirmar o diagnóstico, a biópsia traz informações essenciais quando o resultado é câncer: o tipo do tumor, o grau e marcadores como receptores hormonais, HER2 e Ki-67. São esses dados que definem o tratamento, por exemplo, se a paciente deve fazer quimioterapia antes da cirurgia.
Quando a biópsia é indicada?
As indicações mais comuns são:
Achados classificados como BI-RADS 4 ou 5 na mamografia, no ultrassom ou na ressonância
Nódulo palpável com características suspeitas no exame clínico
Achado BI-RADS 3 que cresceu ou mudou durante o acompanhamento
Microcalcificações suspeitas na mamografia
Linfonodo axilar alterado
Secreção com sangue pelo mamilo associada a lesão nos exames
Em algumas situações, o mastologista pode indicar a biópsia de um BI-RADS 3, como em pacientes com histórico familiar forte ou que planejam engravidar.
Quais são os tipos de biópsia de mama?
Tipo | Como é feita | Quando costuma ser usada |
Core biopsy (biópsia por agulha grossa) | Agulha retira pequenos fragmentos de tecido, geralmente guiada por ultrassom | Nódulos visíveis no ultrassom; é o método mais usado |
Mamotomia (biópsia a vácuo) | Agulha com sistema de vácuo retira mais tecido por uma única entrada | Microcalcificações, lesões pequenas e achados vistos só na mamografia ou na ressonância |
PAAF (punção aspirativa por agulha fina) | Agulha fina aspira líquido ou células | Esvaziamento de cistos e avaliação de linfonodos |
Biópsia cirúrgica | Retirada da lesão em centro cirúrgico | Quando a biópsia por agulha não é possível ou o resultado não é conclusivo |
Hoje, a biópsia por agulha substituiu a cirurgia na grande maioria dos casos. Ela é menos invasiva, mais rápida, deixa apenas uma pequena marca e tem alta precisão.
A biópsia por agulha é confiável?
Sim. Uma meta-análise publicada no British Journal of Cancer mostrou que a biópsia por agulha grossa tem sensibilidade de 97% para o diagnóstico de câncer de mama em lesões não palpáveis. Em nódulos palpáveis guiados por ultrassom, a sensibilidade chega a 99%.
O ponto mais importante é a concordância clínico-radiológico-patológica: o resultado da biópsia precisa ser compatível com o exame clínico e com o que as imagens mostram. Um resultado benigno só é aceito como definitivo quando essa concordância existe. Quando não existe, por exemplo, um achado BI-RADS 5 com resultado benigno, a biópsia é considerada discordante, e o mastologista indica nova biópsia ou a retirada cirúrgica da lesão.
Como é o procedimento?
A biópsia guiada por ultrassom, a mais comum, segue estas etapas:
Preparação: a paciente fica deitada e o médico localiza a lesão com o ultrassom
Anestesia local: aplicada na pele e no trajeto da agulha; a paciente sente apenas uma picada
Coleta: por uma pequena abertura de poucos milímetros, a agulha retira alguns fragmentos de tecido; costuma-se ouvir um “clique” a cada coleta
Marcador (clipe): em alguns casos, um pequeno clipe metálico é deixado no local para marcar a lesão, o que ajuda em uma eventual cirurgia ou no acompanhamento
Curativo: feito com compressão local para evitar hematoma
Todo o processo leva, em média, de 20 a 40 minutos. Não é necessário jejum na maioria dos casos. Pacientes que usam anticoagulantes ou antiagregantes devem informar o médico com antecedência.
Como é a recuperação?
A recuperação é rápida:
Atividades leves podem ser retomadas no mesmo dia
Esforços e exercícios intensos devem ser evitados por 24 a 48 horas
Hematoma e dor leve são comuns e melhoram em poucos dias com analgésicos simples e compressa fria
Infecção é rara
A biópsia deixa uma marca de poucos milímetros, que costuma ficar quase imperceptível com o tempo.
Quanto tempo demora o resultado e o que ele pode mostrar?
O laudo anatomopatológico costuma ficar pronto entre 5 e 10 dias úteis. Quando é câncer, o exame de imuno-histoquímica, que identifica os marcadores do tumor, pode levar mais alguns dias.
Uma informação tranquilizadora: a maior parte das biópsias é benigna. No estudo ACRIN 6666, publicado no JAMA, apenas cerca de 1 em cada 4 biópsias indicadas pela mamografia confirmou câncer. Nas lesões BI-RADS 4A, mais de 90% dos resultados são benignos.
O resultado pode trazer três tipos de diagnóstico:
Benigno e concordante com o exame clínico e as imagens: como fibroadenoma, alteração fibrocística ou papiloma; segue com acompanhamento, geralmente com exame de imagem de controle
Lesão de alto risco: como atipias ou cicatriz radial; pode exigir retirada cirúrgica ou acompanhamento mais próximo
Maligno: o tipo e os marcadores do tumor orientam o plano de tratamento
Em todos os casos, o resultado deve ser explicado pelo mastologista, que define o próximo passo junto com a paciente.
Perguntas frequentes
Biópsia de mama dói?
Com a anestesia local, a paciente sente apenas a picada inicial e uma sensação de pressão. Após o procedimento, o desconforto costuma ser leve.
A biópsia pode espalhar o câncer?
Não há evidência de que a biópsia por agulha piore o prognóstico. Ela é o padrão mundial para o diagnóstico do câncer de mama.
Posso ir trabalhar depois da biópsia?
Sim, na maioria dos casos, desde que o trabalho não envolva esforço físico intenso nas primeiras 24 a 48 horas.
O clipe metálico é seguro?
Sim. Ele é minúsculo, não causa sintomas, não é percebido ao toque e não impede a realização de ressonância magnética.
Gestantes podem fazer biópsia de mama?
Sim. A biópsia guiada por ultrassom é segura na gestação e não deve ser adiada quando há um achado suspeito.
Investigação com segurança e acolhimento
A espera pelo resultado de uma biópsia é um momento de ansiedade, e ter um especialista ao lado faz diferença. Em Jundiaí, o Dr. Roberto Giordano acompanha a paciente da indicação da biópsia à explicação do resultado e, se necessário, ao planejamento do tratamento.
Se você recebeu a indicação de biópsia ou tem um laudo BI-RADS 4 ou 5, agende uma avaliação.
Referências
Verkooijen HM, et al. Diagnostic accuracy of large-core needle biopsy for nonpalpable breast disease: a meta-analysis. British Journal of Cancer, 2000.
Klein S. Evaluation of Palpable Breast Masses. American Family Physician, 2005.
Berg WA, et al. Combined screening with ultrasound and mammography vs mammography alone in women at elevated risk of breast cancer (ACRIN 6666). JAMA, 2008.
American College of Radiology. ACR BI-RADS® Atlas, 5ª edição. Resumo em Radiopaedia.




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