Na hora de planejar a retirada das próteses, uma das primeiras perguntas das pacientes é: por onde o implante vai sair e como vai ficar a cicatriz? A escolha da via de acesso influencia o resultado estético, a segurança da cirurgia e até a possibilidade de retirar a cápsula por completo.
Com o crescimento do explante, essa decisão ganhou ainda mais importância. Segundo a ISAPS, o Brasil realizou 41.314 cirurgias de retirada de implantes mamários em 2023, ficando entre os países que mais fazem esse procedimento no mundo. Entre as vias de acesso possíveis, a mais utilizada para o explante com retirada de cápsula é a incisão no sulco mamário, também chamada de via inframamária.
O que é o sulco mamário?
É a dobra natural localizada abaixo da mama, onde ela encontra o tórax. A incisão é feita exatamente nessa região, o que faz com que a cicatriz fique escondida pela própria mama na maior parte das posições e coberta por sutiãs e biquínis.
Muitas pacientes já colocaram a prótese por essa via. Nesses casos, é possível reaproveitar a cicatriz antiga, sem criar uma nova marca no corpo.
Por que essa via é a preferida para retirar a cápsula?
A cápsula envolve todo o implante, inclusive a parte de trás, que fica apoiada no músculo ou nas costelas. Pelo sulco mamário, o cirurgião tem visão direta do bolso da prótese, o que facilita:
A capsulectomia total e a retirada da cápsula inteira, no chamado explante em bloco
A dissecção cuidadosa da parte posterior da cápsula, a mais aderida à parede torácica
O controle de sangramento, ponto importante porque o hematoma é a complicação mais comum da capsulectomia
A retirada de implantes rompidos, com menor risco de espalhar o gel pelo campo cirúrgico
Outras vantagens do sulco mamário
Além do acesso à cápsula, essa via oferece benefícios para a mama que permanece:
Não atravessa a glândula mamária, preservando ductos e tecido
Não aborda a aréola, o que reduz a interferência na sensibilidade do mamilo
Permite ampliar a incisão com segurança quando a cápsula é espessa ou o implante é volumoso
Há ainda um dado interessante da literatura sobre a colocação de próteses: uma meta-análise publicada no Aesthetic Plastic Surgery mostrou que a via periareolar teve quase o dobro de chance de contratura capsular em comparação à via inframamária. Uma das explicações é que a incisão pelo sulco evita o contato com os ductos mamários, que podem abrigar bactérias. O mesmo raciocínio de menor manipulação glandular vale para o explante.
Para quem essa técnica é indicada?
O explante pelo sulco mamário costuma ser a escolha para pacientes que:
Não têm flacidez importante e, portanto, não precisam de mastopexia
Têm ruptura, contratura capsular ou cápsula calcificada
Desejam ou têm indicação de retirar a cápsula inteira
Já possuem cicatriz prévia nessa região
Quando existe excesso de pele ou queda da mama, a via pode ser combinada com outras incisões ou substituída pelas cicatrizes da mastopexia, que já oferecem acesso ao implante.
Quais são os riscos?
Toda cirurgia tem riscos, e eles devem ser discutidos com transparência. Um levantamento do banco de dados do Colégio Americano de Cirurgiões (NSQIP), com mais de 2.200 pacientes submetidas à capsulectomia, encontrou:
Taxa geral de complicações de 3,0%
Complicações menores, como infecção superficial, em 0,8%
Complicações maiores em 2,2%
Ou seja, a grande maioria das pacientes evolui sem intercorrências, mas o planejamento cuidadoso e a técnica adequada são fundamentais para manter esses números baixos.
E a cicatriz?
O tamanho da incisão depende do volume da prótese e da técnica escolhida. Em geral, ela é um pouco maior do que a usada para colocar o implante, especialmente quando a cápsula será retirada inteira, já que a peça sai com mais volume.
Nos primeiros meses, a cicatriz pode ficar avermelhada e mais visível. Com o tempo e os cuidados orientados no pós-operatório, como proteção solar e uso de sutiã adequado, ela tende a clarear e ficar mais fina. A evolução, porém, varia de pessoa para pessoa.
Como é a recuperação?
A cirurgia é feita sob anestesia geral e, dependendo da extensão da capsulectomia, pode ser necessário o uso de dreno por alguns dias. A paciente usa sutiã cirúrgico e retoma atividades leves em poucos dias, com liberação gradual para exercícios conforme a cicatrização.
A melhor via é a que faz sentido para o seu caso
Não existe uma incisão ideal para todas as pacientes. A escolha considera a posição da prótese, a cicatriz prévia, a presença de flacidez, o estado da cápsula nos exames de imagem e o objetivo de retirar ou não a cápsula por completo.
Quer entender qual via de acesso é a mais adequada para você? Agende uma avaliação especializada e receba um planejamento cirúrgico individualizado.
Referências
1. ISAPS. International Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures performed in 2023.
2. Capsular Contracture Rate After Breast Augmentation with Periareolar Versus Other Two (Inframammary and Transaxillary) Incisions: A Meta-Analysis. Aesthetic Plastic Surgery, 2018.
3. Relationship of incision choice to capsular contracture. Aesthetic Plastic Surgery, 2008.
4. Complications of Capsulectomies: An Analysis of the American College of Surgeons NSQIP Database. Aesthetic Surgery Journal Open Forum, 2022.
5. Afshari A, et al. Incidence and Preoperative Risk Factors for Major Complications After Capsulectomy: Analysis of 3048 Patients. Aesthetic Surgery Journal, 2022.




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