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© 2024 por Dr. Roberto Giordano. Criado por Assessoria Lemon

há 6 dias
4 min de leitura

A lipoenxertia, também chamada de enxerto de gordura ou lipofilling, é uma técnica que utiliza a gordura da própria paciente para preencher, corrigir ou dar volume a uma região do corpo. Nas mamas, ela ganhou espaço tanto na cirurgia estética quanto na reconstrução após o tratamento do câncer.

O tema é especialmente relevante no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, o que representa cerca de 30% dos cânceres que atingem as mulheres no país. Com diagnósticos mais precoces e tratamentos mais eficazes, cada vez mais mulheres superam a doença, e a qualidade do resultado estético passou a fazer parte do cuidado.

Na estética, a técnica também está consolidada: segundo a pesquisa global da ISAPS, mais da metade dos cirurgiões plásticos do mundo (55,8%) já realiza aumento de mamas com gordura.

Como a lipoenxertia é feita?

O procedimento acontece em três etapas:

  1. Coleta: a gordura é retirada por lipoaspiração de áreas como abdômen, flancos ou coxas

  2. Preparo: o material é processado para separar a gordura de qualidade de líquidos e resíduos

  3. Enxertia: a gordura é injetada em pequenas quantidades, em várias camadas da mama, com cânulas finas

As incisões são milimétricas, o que deixa cicatrizes muito discretas. Por usar tecido do próprio organismo, não há risco de rejeição, e o resultado costuma ter toque e aspecto naturais. Um benefício extra é a melhora do contorno da área de onde a gordura foi retirada.

Para que a lipoenxertia é indicada?

Na reconstrução mamária:

  • Corrigir depressões e assimetrias após a quadrantectomia (retirada de parte da mama)

  • Refinar o contorno após reconstrução com prótese ou com retalho muscular

  • Melhorar a qualidade e a maciez da pele após a radioterapia

  • Camuflar bordas visíveis do implante em mulheres com pouca cobertura de tecido

Na cirurgia estética:

  • Devolver volume após o explante de silicone

  • Corrigir assimetrias entre as mamas

  • Preencher o colo e melhorar o contorno em mastopexias

  • Auxiliar no tratamento da mama tuberosa

A lipoenxertia é segura em quem teve câncer de mama?

Essa é uma dúvida frequente e muito importante. A preocupação surgiu porque estudos de laboratório mostraram que a gordura estimula a formação de vasos e a regeneração de tecidos, o que levantou a hipótese de que ela poderia favorecer o retorno do tumor.

Na prática clínica, porém, os maiores estudos não confirmaram esse risco:

  • Uma meta-análise com 59 estudos e 4.292 pacientes não encontrou aumento da recorrência locorregional do câncer após a lipoenxertia

  • Outra meta-análise, publicada no European Journal of Surgical Oncology, comparou 1.590 pacientes que receberam gordura com 2.657 que não receberam e não encontrou diferença estatisticamente significativa nas taxas de recorrência

  • A revisão mais recente, de 2024, reuniu 40 estudos e 14.078 pacientes e chegou à mesma conclusão: a técnica não aumentou o risco de recorrência

  • Em mulheres operadas com cirurgia conservadora, uma análise de 26 estudos encontrou recorrência de 1,85% nas pacientes com lipoenxertia, contra 2,53% nos controles históricos

Ainda assim, a indicação deve ser feita pelo especialista que acompanha o caso, considerando o tipo de tumor, o tratamento realizado e o momento adequado em relação à radioterapia e às demais terapias.

O que esperar do resultado?

  • Parte da gordura é reabsorvida nos primeiros meses. Em revisões sistemáticas, a retenção média variou de cerca de 58% em cirurgias estéticas a 77% em reconstruções

  • Em alguns casos, mais de uma sessão é necessária para atingir o volume desejado

  • O volume obtido é moderado, diferente do ganho proporcionado por uma prótese

  • A gordura que se integra permanece e acompanha as variações de peso do corpo

Nas reconstruções, uma revisão sistemática encontrou satisfação de 93,4% entre as pacientes.

E os exames de rastreamento?

A gordura enxertada pode formar pequenas calcificações, cistos oleosos e áreas de necrose gordurosa. Em uma revisão de quase 3.800 mulheres submetidas à lipoenxertia estética, a necrose gordurosa apareceu em 9,4% dos exames de imagem.

Essas alterações são benignas, mas aparecem na mamografia, no ultrassom e na ressonância. Por isso, é essencial que o acompanhamento seja feito por um profissional experiente na interpretação desses exames, capaz de diferenciá-las de achados que exigem investigação. Em mulheres que já tiveram câncer de mama, esse cuidado é ainda mais importante.

Como é a recuperação?

A recuperação costuma ser tranquila. A área doadora pode apresentar hematomas e inchaço nas primeiras semanas, e a paciente usa cinta compressiva nesse período. Nas mamas, recomenda-se evitar compressão excessiva para não prejudicar a integração da gordura. A maior parte das atividades é retomada em poucos dias.

Quer saber se a lipoenxertia pode ajudar no seu caso, seja na estética ou na reconstrução? Agende uma avaliação com um mastologista e receba um plano individualizado.

Referências

1. INCA. Câncer de mama: versão para a população (Estimativa 2026–2028).

2. ISAPS. International Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures performed in 2023.

3. Meta-analysis of the oncological safety of autologous fat transfer after breast cancer. British Journal of Surgery.

4. Oncologic safety of breast reconstruction with autologous fat grafting: A systematic review and meta-analysis. European Journal of Surgical Oncology.

5. Autologous Fat Grafting (AFG): A Systematic Review to Evaluate Oncological Safety in Breast Cancer Patients. Journal of Clinical Medicine, 2024.

6. Tayeh S, et al. Is Autologous Fat Grafting an Oncologically Safe Procedure following Breast Conserving Surgery for Breast Cancer? Journal of Investigative Surgery, 2022.

7. Autologous fat grafting in onco-plastic breast reconstruction: A systematic review. Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery, 2016.

8. Autologous fat grafting in breast augmentation: a systematic review highlighting the need for clinical caution.

 
 
 

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