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© 2024 por Dr. Roberto Giordano. Criado por Assessoria Lemon

há 6 dias
4 min de leitura

Uma das maiores preocupações de quem pensa em retirar as próteses é: como as mamas vão ficar depois? Após anos com implante, a pele e a glândula se adaptam ao volume extra. Quando ele é retirado, pode sobrar pele e a mama pode ficar caída ou com aspecto esvaziado.

É aí que entra a mastopexia, cirurgia que reposiciona a mama e remove o excesso de pele. Ela é um dos procedimentos mamários mais realizados no mundo: segundo a ISAPS, foram 903.266 mastopexias em 2023, sendo 140.675 no Brasil. Cada vez mais, ela tem sido feita no mesmo tempo cirúrgico do explante.

Por que a mama muda depois de retirar o silicone?

O implante funciona como um “expansor” permanente. Com o passar dos anos, ele estica a pele, pode afinar a glândula por compressão e, somado a fatores como gestações, amamentação, variações de peso e o envelhecimento natural, altera o formato original da mama.

Quando o implante sai, esse “envelope” de pele fica maior do que o conteúdo. O resultado pode ser uma mama mais baixa, com a aréola apontando para baixo e menos volume no colo.

Quem precisa associar mastopexia ao explante?

Nem toda paciente precisa. A indicação depende de fatores como:

  • Volume da prótese: implantes maiores costumam deixar mais pele sobrando

  • Tempo com o implante e qualidade da pele

  • Grau de ptose, ou seja, a posição do mamilo em relação ao sulco mamário

  • Quantidade de tecido mamário próprio que permanecerá após a retirada

  • Histórico de gestações, amamentação e variações de peso

Na consulta, a avaliação considera a mama como ela está hoje e como ela tende a ficar sem o implante.

Como a cirurgia é feita?

Primeiro, a prótese é retirada, com ou sem a cápsula, conforme a indicação. Em seguida, o tecido mamário é remodelado e elevado, o mamilo e a aréola são reposicionados e o excesso de pele é removido.

Em muitos casos, o próprio tecido da mama é reposicionado para dar mais projeção ao polo superior, técnica conhecida como autoprótese ou autoaumento. Um estudo publicado no Gland Surgery, que acompanhou pacientes por longo prazo com o questionário BREAST-Q, encontrou maior satisfação com a aparência das mamas no grupo da mastopexia com autoprótese do que no grupo da mastopexia com prótese de silicone.

O que os estudos mostram sobre segurança e satisfação?

Os dados mais recentes sobre explante com mastopexia são animadores:

  • Um estudo publicado no Aesthetic Surgery Journal avaliou 131 pacientes (262 mamas) operadas com explante, capsulectomia e mastopexia simultâneos. A taxa de complicações foi de 3,8% das mamas, com melhora significativa da qualidade de vida e da estética das mamas

  • Uma série britânica publicada em 2025 no Plastic and Reconstructive Surgery acompanhou 40 mulheres que tinham o implante, em média, há 20 anos. Todas, exceto uma, relataram estar satisfeitas ou muito satisfeitas, com nota média de 4,9 em 5

Nessa mesma série, pequenos problemas de cicatrização, resolvidos com curativos simples, ocorreram em 17,5% dos casos. É uma informação importante para alinhar expectativas: a recuperação costuma ser tranquila, mas exige acompanhamento próximo.

Como ficam as cicatrizes?

O desenho das cicatrizes acompanha o grau de flacidez:

  • Periareolar: ao redor da aréola, para flacidez leve

  • Vertical (em “pirulito”): ao redor da aréola e descendo até o sulco, para flacidez moderada

  • Em T invertido: inclui também uma cicatriz no sulco mamário, para flacidez acentuada

As próprias incisões da mastopexia já dão acesso ao implante, então em geral não é preciso criar uma cicatriz extra para o explante.

É melhor fazer tudo junto ou em duas etapas?

Na maioria das pacientes, explante e mastopexia podem ser feitos na mesma cirurgia, o que significa uma única anestesia e uma única recuperação.

Em situações específicas, como pele muito fina, flacidez muito importante, tabagismo ou fatores que aumentem o risco de sofrimento da circulação da aréola, pode ser mais seguro fazer a mastopexia em um segundo momento, após alguns meses de acomodação dos tecidos. Essa decisão é individual e deve ser discutida com clareza na consulta.

Como é a recuperação?

A cirurgia é feita sob anestesia geral. Nos primeiros dias, são esperados inchaço, desconforto e uso contínuo de sutiã cirúrgico. Atividades leves são retomadas em poucos dias, e exercícios e esforços com os braços são liberados de forma gradual. O formato final da mama se define ao longo dos meses, à medida que o inchaço diminui e os tecidos se acomodam.

Expectativas realistas fazem diferença

A mastopexia devolve firmeza e contorno, mas as mamas terão o volume do seu tecido natural. Quando a paciente deseja um pouco mais de preenchimento, a cirurgia pode ser associada à lipoenxertia, que usa a própria gordura para dar volume.

Se você quer retirar o silicone sem abrir mão de mamas firmes e harmoniosas, agende uma avaliação. Um planejamento individualizado define a melhor técnica para o seu corpo.

Referências

1. ISAPS. International Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures performed in 2023.

2. Estudo sobre explante, capsulectomia e mastopexia simultâneos em 131 pacientes. Aesthetic Surgery Journal, 2023.

3. Macmillan RD, Bell K, Wilson E, Asgeirsson KS. Explantation with Lateral Pedicle Mastopexy. Plastic and Reconstructive Surgery, 2025.

4. Grünherz L, Burger A, Giovanoli P, Lindenblatt N. Long-term results measured by BREAST-Q reveal higher patient satisfaction after “autoimplant-mastopexy” than augmentation-mastopexy. Gland Surgery, 2019.

 
 
 

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