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© 2024 por Dr. Roberto Giordano. Criado por Assessoria Lemon

há 6 dias
4 min de leitura

A cicatriz é uma preocupação legítima para quem decide retirar as próteses. Entre as vias de acesso possíveis, a incisão periareolar chama atenção por um motivo simples: ela acompanha o contorno da aréola e tende a ficar disfarçada na transição natural de cor entre a aréola e a pele da mama.

Por muitos anos, essa foi uma das vias mais usadas para colocar silicone no Brasil. Por isso, muitas mulheres que hoje buscam o explante já têm uma cicatriz nessa região. Mas, como toda técnica, a via periareolar tem indicações e limites bem definidos, e conhecê-los ajuda a ter expectativas realistas.

O que é a incisão periareolar?

É o corte feito na borda inferior da aréola, geralmente em formato de meia-lua, ou ao redor de toda a aréola quando também há necessidade de ajustar a pele. Por essa abertura, o cirurgião atravessa o tecido mamário até alcançar o bolso da prótese e realiza a retirada do implante e, quando indicado, da cápsula.

Se a paciente colocou o silicone por essa via, a cicatriz antiga pode ser reaproveitada, sem criar uma nova marca.

Quando o explante periareolar é uma boa opção?

  • Quando a paciente já tem cicatriz periareolar da cirurgia anterior

  • Quando há flacidez leve, que pode ser corrigida com uma mastopexia periareolar no mesmo tempo cirúrgico

  • Quando a aréola tem diâmetro suficiente para permitir a retirada com segurança

  • Em implantes de menor volume, sem cápsula muito espessa ou calcificada

  • Quando não há indicação de retirar a cápsula em peça única

Quais são as limitações?

A principal limitação é o espaço. O tamanho da incisão depende do diâmetro da aréola, e aréolas pequenas oferecem uma abertura reduzida. Isso pode dificultar a retirada de próteses grandes e, principalmente, a retirada da cápsula inteira, como no explante em bloco.

Além disso, essa via passa pelo tecido mamário e pelos ductos, o que pode trazer:

  • Alterações na sensibilidade do mamilo, geralmente temporárias, mas que podem ser permanentes em alguns casos

  • Possibilidade de alargamento ou irregularidade da cicatriz ao redor da aréola com o tempo

  • Maior manipulação da glândula, ponto a ser considerado por quem deseja amamentar no futuro

O que dizem os estudos sobre a via periareolar?

A maior parte dos dados compara as vias de acesso na colocação de próteses, mas eles ajudam a entender o comportamento de cada incisão.

Uma meta-análise publicada no Aesthetic Plastic Surgery reuniu sete estudos comparativos e mostrou que a via periareolar teve uma chance cerca de 1,9 vez maior de contratura capsular do que a via pelo sulco mamário. Em uma série de casos clássica, a taxa de contratura foi de 9,5% pela aréola contra 0,59% pelo sulco.

A explicação mais aceita é que, ao atravessar a glândula, a incisão entra em contato com os ductos mamários, que naturalmente abrigam bactérias. Para o explante, esse dado reforça que a via periareolar deve ser bem indicada, principalmente quando já existe contratura ou inflamação ao redor do implante.

Por isso, em casos de contratura capsular importante ou suspeita de ruptura, outras vias, como o sulco mamário, costumam ser preferidas.

Periareolar e mastopexia: uma combinação comum

Após anos com a prótese, é comum que a pele se estique. Quando a queda da mama é leve, a própria incisão periareolar pode ser usada para fazer uma mastopexia periareolar: retira-se um anel de pele ao redor da aréola, o que ajuda a reposicionar o mamilo e a firmar o contorno.

Essa técnica tem limites. Em flacidez moderada ou acentuada, ela não é suficiente e pode até achatar a mama ou alargar a aréola. Nesses casos, outras técnicas de mastopexia, com cicatriz vertical ou em T, tendem a oferecer resultado melhor.

Como é a recuperação?

A recuperação segue o padrão do explante: anestesia geral, alta geralmente no mesmo dia ou no dia seguinte, uso de sutiã cirúrgico e retorno gradual às atividades. A cicatriz costuma ficar mais avermelhada nos primeiros meses e tende a se acomodar com o tempo.

Alterações de sensibilidade no mamilo, quando ocorrem, costumam melhorar progressivamente ao longo dos meses seguintes.

Cicatriz discreta e segurança caminham juntas

A escolha da incisão não deve priorizar apenas a estética. O mais importante é que a via escolhida permita retirar o que precisa ser retirado com segurança e entregar um resultado harmonioso. Uma avaliação com exame físico e de imagem mostra o estado da cápsula, o tamanho da aréola e o grau de flacidez, informações que definem a melhor via.

Está avaliando o explante e quer saber se a via periareolar é indicada para você? Agende uma consulta para uma avaliação detalhada e um plano feito para o seu caso.

Referências

1. Capsular Contracture Rate After Breast Augmentation with Periareolar Versus Other Two (Inframammary and Transaxillary) Incisions: A Meta-Analysis. Aesthetic Plastic Surgery, 2018.

2. Relationship of incision choice to capsular contracture. Aesthetic Plastic Surgery, 2008.

3. Correlation between Capsular Contracture Rates and Access Incision Location in Vertical Augmentation Mastopexy. Plastic and Reconstructive Surgery Global Open.

4. The Aesthetic Society. Consensus statement: breast implant capsulectomy definitions.

 
 
 

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